sábado, 29 de novembro de 2008

ALINI :) TAREFA 7 *

O neoliberalismo busca uma escola que qualifica o sujeito para o mercado de trabalho, ou seja, que padronize o ensino, numa educação alienadora, a uma determinada linha de pensamento, para que essas pessoas não tenham uma visão crítica da sociedade e uma concepção de mudança de mundo. Formar cidadãos consumistas, individualistas e competitivos para atender as demandas do mercado, e trabalhadores que atendam as exigências do mercado de trabalho. Escola em que em lugar de aprender “ as causas e as conseqüências”, a maioria das matérias que eles dão são inúteis”, em que o que é ensinado hoje é esquecido logo após a prova, tal qual foi no tempo dos pais, quanto o que foi ensinado “eles não lembram mais”.

Enfim, existe escolas reprodutoras da desigualdade social e alimentadoras do sistema neoliberal, como também escolas que procuram desenvolver em seus alunos uma perspectiva da realidade em que vive. Não devemos conhecer somente os textos, cálculos e as matérias envolvidas para uma formação técnica, mais sim, ter conhecimento do que está a nossa volta, que nos rodeia, como a violência sofrida por crianças todos os dias.

Essa é uma reflexão que tem por desejo dialogar com os interessados pela gestão do cuidado nas instituições que recebem as crianças que sofrem violências.
Quando a mão, arrogante, insiste em possuir o outro, deixa de ser seda para tornar-se garra, fracassando o encontro e abrindo-se passagem à incorporação. A singularidade é devorada. A possibilidade de diálogo desaparece. A ternura é substituída pela violência. Restrepo, 1998.
Todos os dias, enquanto alguns adultos propagam notícias sobre práticas de violências contra crianças, uns escutam, e até se comovem, outros nem mesmo escutam e outros, ainda, acreditam que “sempre foi assim”, por quê se espantar? Entorpecidos pela mecanização das relações, apressados e confusos na luta pela sobrevivência e encurralados pelas premissas individualistas que tomam conta de nosso viver, todos os dias, mediante diferentes mecanismos, com maior ou menor intensidade, cada um de nós produz a banalização da vida. Como adultos criamos para as crianças mundos ampliados de violências, cuja materialização ganha maior visibilidade nos tempos atuais. Milhares delas estão fora das escolas, outras submetidas ao trabalho infantil escravizador, enquanto outras são condenadas às inúmeras práticas de prostituição, exploradas por adultos cujas encarnações violentam sua sexualidade e as deixam desprotegidas na temporalidade de suas infâncias.
Podemos afirmar que há copiosa negligência instituída e que esta fortifica os espaços da vulnerabilidade infantil à medida que favorece as práticas de agressão e espelha, num ciclo vicioso e recorrente, as probabilidades de uma sociedade violenta.
As crianças são educadas por meio de laços afetivos cultivados na relação com os adultos e aprendem com eles, pela convivência, modos de ser em comunidade. A singularidade de cada processo educativo promove a sua transformação e na coexistência com seus educadores poderá conservar ou perder a auto-aceitação e o auto-respeito, condições sociais imprescindíveis para que saiba e pratique a aceitação do outro, respeitando-o como seu semelhante, mas diferente.
A Gestão do Cuidado é um convite à ampliação da base jurídico-normativa que pauta as ações nas unidades de atendimento. É uma chamada à sensibilidade daqueles e daquelas que acolhem estas crianças, todas com necessidades especiais decorrentes dos sofrimentos experimentados. A gestão do cuidado veste-se da ética da qualificação afetiva como substrato para suas ações.
Atualmente faz parte do cenário político e educacional a problematização do tema inclusão/exclusão social com vistas, entre outras coisas, a se propor uma escola que possa convocar e acolher a todos em suas singularidades, sejam elas psicológicas, sociais, lingüísticas, históricas e/ou políticas.
O mundo contemporâneo tem construído, nesse sentido, várias estratégias de regulação e controle da alteridade que, somente no início, podem parecer sutis variações de uma mesma narrativa. Entre elas: a demonização do outro, a sua transformação em sujeito “ausente”, quer dizer, a ausência de diferenças ao se pensar a cultura; a delimitação e limitação das suas perturbações;
um dos argumentos centrais da idéia de inclusão no sistema regular de educação, é o de maior compromisso do sistema oficial com a educação de todos. Porém, é de notar que os estados na maioria dos países do terceiro mundo estão retrocedendo inexoravelmente em relação a essas obrigações. o que devemos analisar é, por uma parte, quais são os argumentos que fundamentam as propostas de inclusão e, por outro lado, qual é a política de significados e as representações que se produzem e reproduzem nessa proposta.

nada possui uma só face, no aparente silêncio do outro também se articulam resistências. E é por efeito delas que ainda estamos aqui a escrever, sem respostas definitivas, sobre a nossa perturbadora deficiência em escutar o que as diferenças têm a nos dizer.

“O que se pode fazer para evitar o relativismo ou o etnocentrismo total é edificar metapontos de vista. Podemos construir mirantes e do alto desses mirantes contemplar o que ocorre. Podemos estabelecer metapontos de vista limitados e frágeis. Pois o conhecimento, seja o sociológico, o antropológico ou qualquer outro, deve buscar um metaponto de vista. É o requisito absoluto que diferencia o modo simples, que acredita alcançar o verdadeiro, que pensa que o conhecimento é reflexo, que não considera necessário conhecer a si mesmo para conhecer ao objeto, e o conhecimento complexo, que necessita a curva do auto-observável (e, agregaria autocrítica) do observador-conceituador sobre si mesmo. Estas são algumas das aquisições, das modificações necessárias para um pensamento complexo”. (Morin, 1996, p. 281)



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