sábado, 11 de outubro de 2008

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA - Resenha Evandro


INTRODUÇÃO
Pedagogia da Autonomia trata – se de uma obra de cuidadoso rigor metodológico, numa ética pedagógica e uma visão de mundo alicerçadas em rigorosidade, pesquisa, criticidade, risco, humildade, bom senso, tolerância, alegria, curiosidade, esperança, competência, generosidade, disponibilidade..., molhadas pela esperança.
A obra em análise, intitulada Pedagogia da Autonomia constitui uma visão ampla sobre a concepção de Paulo Freire sobre os saberes necessários à Prática Educativa dentro da Antropologia da Educação. Neste sentido, o autor analisa o cotidiano do Professor na sala de aula e fora dela, da educação fundamental e pós – graduação. Este livro tem a finalidade de esclarecer sobre a prática educativa.
Como aspecto principal de sua abordagem pedagógica, constata que “formar” é muito mais que treinar o educando no desempenho das tarefas. Chama a atenção dos educadores formados ou em formação à responsabilidade ética, elucidando – os na arte de conduzir seres à reflexão crítica de suas realidades.
Esta obra se faz imprescindível à condução do corpo discente em prol de uma sociedade mais justa e de valores igualitários; na formação crítica de professores que, além de educar, estarão conscientizando e orientando os futuros cidadãos.
PEDAGOGIA DA AUTONOMIA
No primeiro capítulo - “Não há docência sem discência” (p.21-46), temos exemplos de diferentes tipos de educadores: críticos, progressistas e conservadores. Apesar destas diferenças, todos necessitam de saberes comuns tais como: saber dosar a relação teoria/prática, criar possibilidades para o(a) aluno (a) produzir ou construir conhecimentos, ao invés de simplesmente transferir os mesmos e reconhecer que ao ensinar, se está aprendendo; e não desenvolver um ensino de “depósito bancário”, onde apenas se injetam conhecimentos acríticos nos alunos.
No livro Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire ressalta a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa. Sem essa reflexão, a teoria pode ir virando apenas discurso; e a prática, ativismo e reprodução alienada.
Adverte-nos para que não sejamos demasiado convictos de nossas certezas e que todo novo conhecimento pode superar o já existente, sendo necessário ao professor(a) sempre exercer o hábito da pesquisa, para poder saber o que ainda não sabe e comunicar as novidades aos alunos, fazendo com que a curiosidade dos mesmos transite da ingenuidade à curiosidade, carregada de criticidade. O ato de ensinar deve exigir o desenvolvimento deste senso crítico do aluno.
Para chegar ao conhecimento, educadores e educando precisam de estímulos que despertem a curiosidade e conseqüentemente a busca. O educador não deve inibir ou dificultar a curiosidade dos alunos, muito pelo contrário, deve estimula – lá, pois desta forma desenvolverá a sua própria curiosidade. E ela é fundamental para evocarmos nossa imaginação, intuição, capacidade de comparar, transformar e transcender.
No último capítulo, Paulo Freire mostra a necessidade de segurança, do conhecimento e da generosidade do educador para que tenha competência, autoridade e liberdade na condução das aulas. Defende a necessidade de exercemos nossa autoridade docente com a segurança fundada na competência profissional, aliada à generosidade.
O educador deve desenvolver em si próprio, como pesquisador, sujeito curioso que busca o saber e o assimila de uma forma crítica, com questionamentos. Orienta seus educandos a seguirem também essa linha metodológica de estudar e entender o mundo, relacionando os conhecimentos adquiridos com a realidade de sua vida, sua cidade, seu meio social. “Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino”. (p.29)
CONCLUSÃO
Ao ler o livro, Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire chega-se a conclusão que existe um fator que há muito defendemos e temos percebido como sendo se fundamental importância no processo de docência: motivar a uma constante busca não apenas do conhecimento teórico/prático, mas da relação docente/discente, peça fundamental para exigirmos, juntos, uma educação decente neste país, não somente para a área de Educação Física escolar, mas para a formação global e educação crítica destes cidadãos.
A prática, educativa exige amor, alegria, querer bem aos educandos para aprender e ensinar, para conhecer e intervir nos exercícios de nossa formação função. Assim, diminuir a evasão pelo desencanto das nossas crianças e jovens com a escola, onde o autoritarismo se confunde com nossa autoridade.
Desencanto com a mesmice dos conteúdos programáticos, com a discriminação e falta de entusiasmo, de querer fazer sem saber fazer.
Os saberes que são indispensáveis a pratica docente, independente da opção ideológica estão impregnados de um entusiasmo puro, verdadeiro, otimista, à respeito da prática educativa. Essa postura nos leva a repensar que os descaminhos da educação atual, não devem permitir que diminua nossa capacidade de fazer prazerosamente o nosso dever.
“Temos que ter amor pelo que ensinamos e para quem ensinamos”.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FREIRE, P. PEDAGOGIA DA AUTONOMIA – saberes necessários à prática educativa. 33 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006.148 p.

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